sábado, 19 de março de 2016

{RESENHA} O Natal de Poirot - Agatha Christie

Simeon Lee, um velho magricela e encarquilhado, decide reunir toda a sua família para uma confraternização de Natal. Provavelmente, sua intenção não é celebrar a paz, pois esse será um encontro entre irmãos ressentidos que ficarão frente a frente após tantos anos.

Alfred e a mulher, Lydia, moram juntos com Simeon. Este é o filho mais dedicado e submisso ao pai. Obedece e acata, sem questionar ou se opor, a toda e qualquer decisão do velho, que desde sempre o manipula e controla. Lydia é contraria a essa devoção do marido a um pai que vive humilhando-o e que não o valoriza. Ela detesta o sogro. Na verdade, até o velho não aprova essa atitude do filho, considera-o sem brios e acomodado. O casal leva uma vida confortável na rica mansão.

David guarda muitas mágoas e rancores do pai, atribui a ele a culpa pela morte da amada mãe. Rebelou-se e saiu de casa para seguir com sua vida longe daquele lugar infame e daquele homem tirano. Fora para Londres estudar pintura, mesmo com as ameaças do velho avisando-o que o deserdaria caso seguisse essa profissão idiota. Esse é o filho que leva uma vida mais modesta. Na opinião do velho Simeon, este é um tolo, o filhinho da mamãe, um sonhador.

Foto: Lu Garcia

George é membro do parlamento, sovina, pensa só em dinheiro. Quer logo aceitar o convide do pai para passar o Natal em Gorston Hall, assim economizará na ceia dos criados. Sua esposa, vinte anos mais jovem, odiou a ideia. Para o pai, George não passa de um chato, um falastrão sem cérebro.

Harry roubou uma boa quantia dos negócios da família para conhecer o mundo há muitos anos atrás. Não é motivo de orgulho para os irmãos. Mas para o pai é o melhor dos filhos, embora errado é o único que tem vida de verdade.

Porém o reencontro da família Lee é interrompido pelo barulho de vidro se espatifando, dos móveis caindo e de um grito horroroso vindos dos aposentos do velho Simeon. Todos sobem depressa até o quarto e precisam arrombar a porta, que está trancada. O que eles encontram será algo impossível de esquecer: o velho falecido em meio a muito sangue.

E o que era para ser a oportunidade de reconciliação e perdão dos erros do passado transforma-se em um ambiente pesado e sombrio, não pelo luto mas pelas suspeitas que uns tem contra os outros. Fato é que todos ali tinham motivos para livrar-se do velho que tanto os sufocou e desrespeitou. A sorte (não para o assassino) é que Hercule Poirot está no vilarejo passando o feriado com um amigo e oferece ajuda nas investigações.

Site Oficial da autora aqui.

Minha Percepção - Então é Natal... Época de festas, bons momentos, alegrias, perdoar quem nos causou mágoa, é época de renovação, paz, solidariedade. Agora imagine um assassinato na véspera de Natal  e dentro da sua casa cujo criminoso é alguém da sua família. Inimaginável, não? Pois é isso mesmo que Agatha Christie nos apresenta ao escrever esta obra.

Este livro foi escrito especialmente para James, cunhado da Agatha, que criticou-a dizendo que seus crimes estavam ficando cada vez mais refinados. Ele demonstrou o desejo por um assassinato que não deixasse dúvida de ser assassinato. Então, para atender a esse pedido, ela escreveu O Natal de Poirot.